Teste de Adams: como fazer e quais são os limites | Scoliometer App

Teste de Adams: como fazer e quais são os limites

O teste de Adams, ou teste de flexão do tronco, é o exame clínico padrão para o rastreamento da escoliose. A pessoa se inclina para frente a partir do quadril enquanto o examinador olha ao longo das costas em busca de assimetria — uma gibosidade costal elevada ou um lado mais cheio na parte baixa das costas. Acrescentar um escoliômetro transforma o que o olho vê em um número.

Revisão médica do Dr. Kevin Lau, D.C. · Atualizado em 25 de julho de 2026

Descrito por William Adams no século XIX, o teste de flexão para frente continua sendo o exame de primeira linha mais usado para escoliose, em escolas e consultórios, porque é rápido, não exige equipamento e não envolve radiação. Ele também tem limites reais que quem o usa deve conhecer: detecta rotação, depende muito da técnica, e não diagnostica nem afasta escoliose.

Para que serve este teste: para decidir se vale a pena buscar avaliação profissional. É um teste de rastreamento, não um diagnóstico. Um escoliômetro usado durante o teste mede o ângulo de rotação do tronco, não a curvatura da coluna, e não substitui radiografia nem exame clínico.

O que o teste procura

Na escoliose, as vértebras rodam além de se curvarem para o lado. Essa rotação leva as costelas para trás em um lado do tórax e os músculos paravertebrais para trás em um lado da parte baixa das costas. Em pé, isso pode passar despercebido. A inclinação para frente remove boa parte da compensação, e o lado elevado se torna visível como gibosidade costal na parte alta das costas ou proeminência lombar na parte baixa.

O que o examinador avalia é se os dois lados das costas estão na mesma altura. Um escoliômetro apoiado atravessado no ponto de maior diferença converte esse julgamento em graus, e é isso que torna o resultado registrável e comparável ao longo do tempo.

Como fazer o teste

  1. Prepare o ambiente. Piso plano, boa iluminação, sem sapatos, e as costas suficientemente descobertas para ver a coluna e os dois lados do tronco. Para crianças, uma regata ou a parte de cima do maiô funciona bem.
  2. Comece em pé. Pés juntos, joelhos esticados, braços ao lado do corpo, peso distribuído. Anote o que já se vê nesta etapa: altura dos ombros, saliência das escápulas, pregas da cintura, posição da cabeça sobre a pelve.
  3. Peça que a pessoa se incline lentamente para frente a partir do quadril. Os braços pendem soltos com as palmas juntas, cabeça e nuca relaxadas, joelhos esticados. Ela para quando as costas ficam mais ou menos horizontais — sem chegar a tocar os pés.
  4. Observe por trás, na altura das costas. Agache-se ou sente-se para olhar ao longo da superfície das costas, e não de cima. Compare os dois lados na parte alta, média e baixa.
  5. Meça com um escoliômetro, se tiver um. Apoie-o plano e atravessado sobre as costas, perpendicular à coluna, centrado sobre os processos espinhosos. Desça lentamente da parte alta para a baixa, parando em cada região.
  6. Anote a medida mais alta e onde ela ocorreu. «8°, torácico direito» será muito mais útil em seis meses do que «8°». Registre a data e quem fez a medida.
  7. Observe também de perfil. Enquanto a pessoa está inclinada para frente, uma parte alta das costas incomumente arredondada pode sugerir cifose em vez de escoliose — é um achado diferente, que vale mencionar ao clínico.

Como interpretar o que você vê e mede

AchadoO que pode sugerirPasso seguinte habitual
As costas parecem niveladas; ATR abaixo de 5°Sem assimetria de tronco evidente neste exameAcompanhamento de rotina, sobretudo durante o estirão de crescimento
Diferença leve; ATR de 5°–6°Assimetria discreta que vale acompanhar; ponto de encaminhamento habitual para crianças com sobrepeso, nas quais as curvaturas são mais difíceis de verRepetir a medida com cuidado; considerar avaliação profissional
Gibosidade ou proeminência nítida; ATR de 7° ou maisO valor de referência mais aceito nos programas de rastreamentoBuscar avaliação profissional
Medida subindo 2° ou mais ao longo do tempoPossível progressão, independentemente do valor absolutoBuscar avaliação profissional
Medida baixa, mas assimetria visível, dor ou histórico familiarO exame pode não ter captado o problemaBuscar avaliação profissional de todo modo

Limites que você deve conhecer

  • Ele detecta rotação, não curvatura. Uma curvatura com pouco componente rotacional pode dar uma medida modesta. O teste pode deixar passar curvaturas que ele nunca foi feito para ver.
  • Ele não diagnostica. O diagnóstico de escoliose exige exame clínico e, em geral, imagem, na qual se mede o ângulo de Cobb. Veja ATR e ângulo de Cobb.
  • Os resultados dependem do observador. A variação entre examinadores é a maior fonte isolada de inconsistência, e é por isso que a mesma pessoa deveria fazer as medidas repetidas quando possível.
  • O formato do corpo afeta a visibilidade. A assimetria é mais difícil de ver em crianças com sobrepeso, e daí o valor de referência mais baixo comumente usado para elas.
  • A profundidade da inclinação muda o resultado. Pouca inclinação e a rotação ainda não aparece; tocar os pés arredonda a coluna e pode achatá-la.
  • Ele não diz nada sobre a causa nem sobre o risco de progressão. A idade, a maturidade óssea e a fase de crescimento importam mais que qualquer medida isolada.
  • Um resultado normal não é uma alta. Sintomas, mudanças visíveis ou histórico familiar merecem avaliação profissional de todo modo.

Usando o teste em casa, na escola e no consultório

Pais

O teste de flexão para frente é simples o bastante para ser feito em casa e é uma forma razoável de acompanhar entre consultas — a cada duas a quatro semanas durante o estirão de crescimento. Mantenha as mesmas condições a cada vez e anote cada medida com a data. O objetivo não é diagnosticar o seu filho, mas perceber uma mudança cedo o suficiente para poder agir.

Rastreamento escolar

Onde é feito, o rastreamento costuma combinar o teste de flexão para frente com um escoliômetro, para que as decisões de encaminhamento se apoiem em um número registrado e não em uma impressão, e para que os achados sejam consistentes entre examinadores. Documentar a medida, a região e quem examinou facilita muito o seguimento. Um registro escrito também ajuda os pais a entender por que houve — ou não — encaminhamento. Vale saber que, em 126 professores de escolas municipais brasileiras entrevistados, 84,9 % não conheciam o teste de Adams.

Profissionais de saúde

Na prática, o teste é um elemento de um exame mais amplo que inclui postura, nível de ombros e pelve, comprimento dos membros inferiores, rastreamento neurológico, estado de crescimento e história. Um escoliômetro digital acrescenta um registro com data e hora, que pode ser revisto ao lado dos intervalos de imagem, e reduz a dependência de impressões lembradas.

Quando buscar avaliação profissional

Marque uma consulta se uma medida atingir o valor de referência, se as medidas estiverem subindo de uma para outra, ou se você notar ombros desnivelados, uma escápula mais saliente, a cintura assimétrica, uma gibosidade visível na inclinação para frente, ou dor nas costas persistente ou que acorda a pessoa à noite. A evolução varia de pessoa para pessoa; é a avaliação profissional que estabelece o que um resultado de rastreamento significa para uma pessoa específica.

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Mais guias: esta página faz parte dos nossos guias de rastreamento da escoliose e do escoliômetro — o que o escoliômetro mede, como fazer uma medida, quais são os valores normais, e como o ATR se compara ao ângulo de Cobb.
Revisão médica do Dr. Kevin Lau, D.C., M.H.N. — Doctor of Chiropractic e fundador da ScolioLife, com mais de 25 anos dedicados ao rastreamento e ao manejo não cirúrgico da escoliose, e desenvolvedor do aplicativo Scoliometer. Sobre o desenvolvedor →

Perguntas frequentes

O que é o teste de Adams?
Um teste clínico de rastreamento em que a pessoa se inclina para frente a partir do quadril enquanto o examinador olha ao longo das costas em busca de assimetria causada pela rotação do tronco. É o exame de primeira linha padrão para escoliose.
Até onde a pessoa deve se inclinar?
Até as costas ficarem mais ou menos horizontais, com os braços pendendo livremente e os joelhos esticados. Tocar os pés arredonda a coluna e pode esconder a rotação que o teste procura mostrar.
O teste de Adams pode diagnosticar escoliose?
Não. É um teste de rastreamento. O diagnóstico exige avaliação profissional e, em geral, imagem, na qual se mede o ângulo de Cobb.
O teste pode deixar passar uma escoliose?
Sim. Ele detecta rotação do tronco, então uma curvatura com pouco componente rotacional pode dar uma medida modesta. Um resultado baixo junto com assimetria visível, dor ou histórico familiar merece avaliação de todo modo.
Os pais podem fazer o teste em casa?
Sim, com uma segunda pessoa para observar e medir. Mantenha as mesmas condições a cada vez e registre cada medida com a data, para que seja a evolução, e não um número isolado, a guiar a decisão de procurar avaliação.
Preciso de um escoliômetro para fazer o teste?
Não, mas o escoliômetro converte uma impressão visual em graus, e isso torna o resultado registrável e comparável ao longo do tempo. Um aplicativo de escoliômetro para smartphone faz a mesma medida usando os sensores do telefone.

Referência: van West HM, Herfkens J, Rutges JPHJ, et al. The smartphone as a tool to screen for scoliosis, applicable by everyone. European Spine Journal 2022;31:990–995. Este trabalho avaliou o rastreamento do ATR por smartphone como método e não avaliou nenhum aplicativo específico.

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