Leitura de 5°, 7° ou 10° no ATR: o que significa

O que significa uma leitura de 5°, 7° ou 10° no ATR?

Atualizado em 15 de agosto de 2026
Tempo de leitura: ~17 min
Entendendo suas medições
Revisão médica do Dr. Kevin Lau, D.C., M.H.N. — Fundador da ScolioLife e desenvolvedor do aplicativo Scoliometer, com mais de 25 anos dedicados ao manejo não cirúrgico da escoliose. Doctor of Chiropractic (EUA) e mestrado em Nutrição Holística.
Última revisão: 15 de agosto de 2026. Este guia é material educativo e não substitui a avaliação individual por um profissional de saúde qualificado.

O escoliômetro dá um número em graus. Esse número é o ângulo de rotação do tronco (ATR) — o quanto um lado das costas sobe acima do outro quando a pessoa se inclina para a frente. É uma medida de triagem da assimetria do tronco. Não é o ângulo de Cobb, não é um diagnóstico, e o mesmo número pode significar coisas diferentes em pessoas diferentes. Se alguém falou em “X graus de escoliose”, provavelmente estava falando do ângulo de Cobb, medido em uma radiografia: este guia trata de outro número. Aqui você vê como ler as faixas mais usadas — 5°, 7° e 10° — e o que fazer depois de cada uma.

Ilustração do mostrador de um escoliômetro com leituras crescentes de rotação do tronco e os limiares de encaminhamento.

A versão curta. Abaixo de 5° a leitura costuma ser considerada baixa. A faixa de 5°–6° merece atenção e uma nova medição feita com calma. 7° ou mais é o limiar mais usado no mundo para sugerir uma avaliação profissional — e, no Brasil, é exatamente o número da orientação que a atenção primária consulta. A Nota Técnica sobre o Atendimento de Escoliose em Crianças e Adolescentes, da Secretaria Estadual da Saúde do Rio Grande do Sul (16/04/2024), escrita com o TelessaúdeRS-UFRGS, define assim o resultado do teste de Adams: “Um resultado positivo é indicado por assimetria ≥ 7 graus, em crianças com índice de massa corporal (IMC) no percentil < 85, ou ≥ 5 graus, em crianças com IMC no percentil ≥ 85.”

O escoliômetro é um auxílio de triagem. Não diagnostica escoliose, não mede o ângulo de Cobb e não substitui a radiografia nem a avaliação de um profissional. Se a leitura estiver alta, o caminho é a UBS: leve o registro e converse com o médico da família ou com o pediatra.

Primeiro: esses graus não são os do ângulo de Cobb

Quando alguém faz o teste de Adams, qualquer rotação da coluna levanta as costelas ou os músculos de um lado mais do que do outro. Você apoia o escoliômetro — um físico ou o aplicativo Scoliometer no celular — atravessado sobre as costas, no ponto mais alto dessa gibosidade, e o aparelho lê a inclinação em graus. Essa inclinação é o ATR. É o mesmo sinal que a orientação brasileira chama, na linguagem oficial, de proeminência paraespinhal assimétrica: é assim que ele pode aparecer escrito em um encaminhamento.

Como o ATR mede a superfície das costas e não o osso, ele é um sinal indireto. Acompanha a curva da coluna, mas sem precisão. Coelho e colaboradores (2013, USP de Ribeirão Preto) mediram 64 participantes em 17 níveis da coluna e encontraram correlação de r = 0,7 com o ângulo de Cobb naquela amostra — é o valor daquele estudo, e não uma constante que se aplique a uma pessoa. Um ATR maior costuma acompanhar uma curva maior, mas não dá para converter um no outro. Por isso as seções abaixo falam do que fazer em cada leitura, e não do ângulo de Cobb a que ela “equivaleria”. A comparação completa está em ATR e ângulo de Cobb.

Os limiares em um relance

Leitura do ATRComo se interpretaO que fazer, no Brasil
0°–4°Baixa. Pequenas assimetrias nessa faixa são muito comuns: Bunnell (1993) mediu 1.000 estudantes e 80% tinham 3° ou mais de ATR.Acompanhamento de rotina, principalmente durante o estirão de crescimento. Anote o valor e a data para poder comparar depois.
5°–6°Faixa de atenção. É o critério de Bunnell (1984), definido para identificar curvas de 20° ou mais de Cobb, e não qualquer escoliose.Repita a medição com calma (mesma pessoa, mesmo nível das costas). É exatamente aqui que a orientação brasileira já considera o teste positivo, quando o IMC está no percentil 85 ou acima.
7°–9°Elevada. É o limiar de encaminhamento mais citado, proposto por Bunnell (1993).Leve a leitura à UBS. Para uma criança com IMC abaixo do percentil 85, é esta a linha brasileira: assimetria de 7 graus ou mais é um resultado positivo no teste de Adams.
10° ou maisClaramente elevada. Continua sendo um ATR: não é um ângulo de Cobb nem um diagnóstico.Procure avaliação sem demora, começando pela UBS. A radiografia, quando indicada, é pedida pelo profissional.
Um aumento que se mantém quando você repete a mediçãoVale ser mostrado mesmo que o número atual pareça moderado: a tendência informa mais do que uma leitura isolada. Medições repetidas das mesmas costas podem variar vários graus, então um único valor mais alto não é, sozinho, prova de mudança.

Essas faixas vêm da triagem com escoliômetro (Bunnell, 1984 e 1993), e cada serviço fixa o seu ponto de corte de um jeito um pouco diferente, quase sempre entre 5° e 7°. No Brasil vale ser exato sobre o estatuto desses números: não existe um PCDT de escoliose — a Conitec não publicou nenhum — e os Protocolos de Encaminhamento para Ortopedia do Ministério da Saúde com a UFRGS não tratam de escoliose em nenhum dos seus dez protocolos. O que existe é a orientação do TelessaúdeRS-UFRGS, a mesma unidade que coproduz aqueles protocolos nacionais, e a Nota Técnica da Secretaria Estadual da Saúde do Rio Grande do Sul. Não é um protocolo nacional obrigatório, mas é a referência que o médico da atenção primária consulta — e ela usa praticamente as mesmas faixas desta tabela. Vale notar que o mesmo documento diz, na mesma página, que “não há evidências para apoiar a implementação de rastreamento da escoliose em crianças e adolescentes”: o Brasil não organiza um programa populacional, mas diz com precisão qual número importa para quem examina as costas de uma criança. É por isso que estas faixas caminham ao lado da orientação brasileira, e não contra ela. Se você procura a tabela geral de faixas, ela está em valores normais do escoliômetro.

O que significa uma leitura de 5°?

Cinco graus fica bem na fronteira. Sozinho não é alarmante, mas é o ponto em que quem está medindo interrompe e presta atenção, em vez de seguir adiante. O critério vem de Bunnell (1984), que o propôs a partir de 1.065 pacientes como bom critério para identificar curvas de 20° ou mais de Cobb, e não “qualquer escoliose”. Essa diferença importa: quem entende que os 5° procuram qualquer desvio acaba superinterpretando um achado que, na verdade, é comum. Para dar contexto ao número: nos 1.000 estudantes de Bunnell (1993), 80% tinham 3° ou mais de ATR. Uma assimetria pequena é o normal, não uma descoberta.

Três coisas decidem o que fazer com um 5°:

  • A repetição. Meça de novo. Um 5° que reaparece em uma medição feita com calma diz muito mais do que um 5° que apareceu uma vez só, na pressa. No trabalho de Coelho e colaboradores (2013), o corte de 5° foi o de maior sensibilidade — 87% diante de curvas de 10° ou mais de Cobb —, ainda que em uma amostra formada pela metade por pessoas já diagnosticadas: a sensibilidade se transfere razoavelmente para outras populações, o valor preditivo daquela amostra não.
  • O biotipo — e aqui a regra é oficial no Brasil. Em uma criança com excesso de peso, o tecido mole achata a gibosidade e a leitura sai mais baixa do que a curva justificaria. É exatamente por isso que a orientação brasileira baixa o limiar: ≥ 5 graus quando o IMC está no percentil 85 ou acima, contra ≥ 7 graus abaixo desse percentil. Em uma criança muito magra acontece o contrário: as costelas se destacam mais e a leitura pode ficar um pouco alta. Ou seja, a faixa de 5°–6° não é invenção da casa: é a faixa em que a própria orientação brasileira já considera o teste positivo.
  • O crescimento. Um 5° em uma criança em plena fase rápida do estirão merece acompanhamento mais próximo do que o mesmo número em um adulto cuja coluna já não muda.

A resposta sensata a um 5° que se repete não é o pânico nem a desvalorização: é encurtar o intervalo entre as verificações e observar a tendência. Em acompanhamento no estirão de crescimento você vê com que frequência vale repetir a medição.

O que significa uma leitura de 7°?

Sete graus é o número para onde aponta a maior parte da orientação de triagem — e, no Brasil, é literalmente a linha que o médico da atenção primária tem diante de si. O TelessaúdeRS-UFRGS e a Nota Técnica do Rio Grande do Sul consideram positivo o teste de Adams com “assimetria ≥ 7 graus, em crianças com índice de massa corporal (IMC) no percentil < 85”. Isso não significa que exista uma curva confirmada, nem diz qual é o tamanho dela: significa que a assimetria do tronco já está marcada o suficiente para um profissional olhar.

E 7° não é um número importado. As duas maiores triagens brasileiras com escoliômetro publicadas usaram exatamente ATR ≥7° como gatilho para pedir radiografia: Penha e colaboradores avaliaram 2.562 adolescentes de 10 a 14 anos em três cidades do estado de São Paulo, e Dantas e colaboradores avaliaram 520 adolescentes de 10 a 16 anos em Petrolina, no sertão de Pernambuco. O limiar em si vem de Bunnell (1993), e vale saber por que ele escolheu esse número: nos 1.000 estudantes que mediu, encaminhar a partir de 7° significava encaminhar 3%, enquanto encaminhar a partir de 5° significava encaminhar 12%. É uma decisão de eficiência da triagem, não uma fronteira biológica.

Você vai ler por aí que um ATR de 7° “equivale”, em média, a uns 20° de Cobb. Não existe conversão confiável: um escoliômetro, físico ou de celular, nunca entrega um ângulo de Cobb. A conclusão prática é mais simples: a partir de 7°, marque a avaliação — procure a UBS e converse com o médico da família ou o pediatra — em vez de esperar para ver se o número sobe.

Um aviso sobre a outra metade da lista brasileira. A mesma Nota Técnica que fixa a assimetria de 7 graus (ou de 5 graus, conforme o IMC) traz, logo depois, critérios de ângulo de Cobb: o diagnóstico se confirma com “ângulo de Cobb ≥ 10 graus no plano coronal”; o encaminhamento para a alta complexidade vem com Cobb ≥ 20 graus (de 0 a 10 anos) ou ≥ 25 graus (acima de 10 anos); e há ainda um critério de “progressão ≥ 5 graus” em radiografias de acompanhamento. Todos esses números se medem em uma radiografia panorâmica de coluna total e pertencem ao lado do especialista. Quem tem um escoliômetro na mão nunca mede um ângulo de Cobb: o que sai de um escoliômetro é sempre um ATR, e as duas escalas não se comparam. Aquela “progressão ≥ 5 graus”, em particular, é um critério radiográfico — não é, e não deve ser lida como, um limiar de progressão do escoliômetro.

O que significa uma leitura de 10°?

Dez graus é claramente elevado e pede avaliação profissional sem demora; mas, de novo, continua sendo um ATR — não um ângulo de Cobb e não um diagnóstico. O profissional examina as costas, faz a história clínica e, quando for o caso, pede uma radiografia panorâmica de coluna total (de C7 a L5, em pé). A escoliose só se confirma ali, com ângulo de Cobb de 10 graus ou mais.

No Brasil o percurso é conhecido, e conhecê-lo evita surpresas. A porta de entrada é a UBS, com o médico da família ou o pediatra: é quem faz o teste de Adams, pede a radiografia e, se for o caso, encaminha para a traumato-ortopedia. Antes de encaminhar, esse médico ainda pode pedir apoio remoto de um especialista pelo próprio TelessaúdeRS. O encaminhamento entra na regulação — a fila do SISREG ou do sistema estadual equivalente —, e a consulta pode não ser rápida. Nada disso é motivo para susto: é o motivo pelo qual um registro datado, com as leituras sempre feitas do mesmo jeito, é útil. Ele viaja com a criança pela fila e mostra ao especialista o que aconteceu no intervalo. Como cerca de três quartos dos brasileiros dependem só do SUS — a ANS contava 53,2 milhões de beneficiários de planos de saúde em dezembro de 2025 —, para muita gente esse registro é a única coisa que documenta o antes. Sobre quem avalia e quando: quando procurar avaliação profissional.

E vale manter a proporção junto com a seriedade. Nas três cidades paulistas de Penha e colaboradores, entre os adolescentes encaminhados por ATR ≥7°, 76 tinham ângulo de Cobb abaixo de 10° — ou seja, não tinham escoliose — contra 37 com Cobb de 10° ou mais. Uma leitura acima do limiar é um motivo para verificar, não um veredito. Na mesma pesquisa, a prevalência de escoliose idiopática do adolescente confirmada por radiografia ficou em 1,5% (IC 95% 1,0–1,9), com 2,2% entre as meninas e 0,5% entre os meninos, e 75% das curvas com 22° de Cobb ou menos; em Petrolina, Dantas e colaboradores encontraram 3,1%. A maior parte das curvas que a triagem encontra é pequena e é acompanhada com observação, exercício ou colete, e não com cirurgia.

Por que o mesmo número não significa a mesma coisa em duas pessoas

Uma leitura vale o que valem as condições em que foi feita. A mesma pessoa pode dar números diferentes conforme:

  • Quem mede e como. Outro observador, outra profundidade de inclinação ou o aparelho apoiado um centímetro ao lado do ponto mais alto já mudam o resultado. Balg e colaboradores (2014) mediram isso: entre o escoliômetro físico e o celular, a diferença média foi de apenas 0,4°, mas os limites de concordância de 95% ficaram em ±3,1°, e entre dois examinadores diferentes chegaram a ±4,4°. Uma diferença de um ou dois graus quase nunca significa alguma coisa.
  • Em que nível das costas você mediu. A rotação pode aparecer na região torácica (a parte de cima) ou na lombar (a parte de baixo). A leitura que conta é a mais alta de todas as que você encontrar percorrendo a coluna inteira, e não a do primeiro nível que resolveu olhar. Coelho e colaboradores mediram 17 níveis por participante exatamente por isso.
  • O biotipo. Como já ficou dito: mais tecido mole tende a esconder a rotação, menos tecido mole tende a revelá-la. É a razão pela qual a orientação brasileira desce o limiar quando o IMC chega ao percentil 85 — o corpo muda o que o instrumento consegue ler, e isso está documentado, não é uma concessão.
  • Uma leitura isolada contra uma tendência. Um número é uma fotografia. O que importa não é uma leitura mais alta isolada, e sim um aumento que se mantém quando você repete a medição do mesmo jeito em outro dia. Medições repetidas das mesmas costas podem variar vários graus: Navarro e colaboradores (2020, UFRGS) compararam duas formas válidas de medir a mesma rotação do tronco em crianças e adolescentes de 7 a 18 anos e encontraram um erro quadrático médio de 3°. Por isso uma série de leituras feitas sempre do mesmo jeito ao longo dos meses informa muito mais do que qualquer valor solto — e por isso vale anotar.

É por isso que a técnica pesa tanto. Se os seus números pulam, revise como usar o escoliômetro e os erros comuns ao medir o ATR antes de tirar conclusão de um único valor. E se o ATR se mexe sem o ângulo de Cobb se mexer, isso tem explicação própria: o ATR pode mudar sem mudar o ângulo de Cobb.

Dá para confiar na medição feita com o celular?

A pesquisa revisada por pares sobre medir o ATR com celular descreve, em geral, boa concordância com o escoliômetro físico e boa consistência quando se usa sempre a mesma técnica: Balg e colaboradores (2014) encontraram diferença média de 0,4° em relação ao escoliômetro, com limites de concordância de 95% de ±3,1°. Esses trabalhos avaliaram o método e vários aplicativos, e não este aplicativo em específico: o de van West e colaboradores (2022) incluiu 50 adolescentes já diagnosticados, com ângulo de Cobb médio de 38,5°, e usou um celular dentro de uma capa específica, de modo que os números dele não se transferem direto para a triagem de crianças saudáveis em casa. No Brasil o ponto é ainda mais prático: o celular costuma ser o único instrumento de medida que existe dentro de casa, porque um escoliômetro físico não é algo que uma família brasileira tenha. Em resumo, o celular pode dar um ATR repetível para triar e para acompanhar, mas um número alto, ou que vem subindo, é motivo para procurar a UBS, nunca um substituto da consulta. Os detalhes estão em precisão dos aplicativos de escoliômetro.

Perguntas frequentes

A leitura do escoliômetro é a mesma coisa que o ângulo de Cobb?

Não. O escoliômetro mede o ângulo de rotação do tronco na superfície das costas. O ângulo de Cobb é medido em uma radiografia da coluna. Os dois se relacionam, mas não são intercambiáveis, e nenhum escoliômetro consegue dar um ângulo de Cobb.

Meu filho mediu 5° — devo me preocupar?

Cinco graus é um valor de atenção, não de alarme, e muitas leituras dessa faixa não correspondem a uma curva importante. Meça de novo com calma, anote cada leitura com a data e encurte o intervalo entre as verificações, principalmente durante o estirão de crescimento. Se o índice de massa corporal estiver no percentil 85 ou acima, a orientação brasileira já considera positivo um resultado de 5 graus ou mais — nesse caso, leve a leitura à UBS e converse com o médico da família ou o pediatra.

Uma leitura de 7° significa que existe escoliose?

Não. 7° é o limiar que a maior parte dos programas de triagem usa para sugerir uma avaliação profissional, e é também a linha da orientação que a atenção primária brasileira consulta para uma criança com IMC abaixo do percentil 85. Não é um diagnóstico: nas três cidades paulistas de Penha e colaboradores, dos adolescentes encaminhados por ATR ≥7°, 76 tinham ângulo de Cobb abaixo de 10° contra 37 com Cobb de 10° ou mais. Só um profissional, normalmente com uma radiografia, confirma escoliose e mede a curva.

A quantos graus de Cobb corresponde uma leitura de 7° ou de 10°?

A nenhum: não existe conversão confiável. Em média, um ATR maior acompanha uma curva maior — no estudo brasileiro de Coelho e colaboradores (2013) a correlação com o ângulo de Cobb foi r = 0,7 naquela amostra —, mas esse é o valor daquele estudo e não uma constante, e a dispersão entre pessoas é grande. Historicamente associaram 7° a cerca de 20° de Cobb, e isso é uma regra prática antiga, nunca uma conversão aplicável a uma pessoa concreta.

Por que deu um número diferente na segunda vez?

Pequenas diferenças na profundidade da inclinação, na colocação do aparelho, no nível das costas medido, em quem mede e na posição do corpo mudam a leitura. Balg e colaboradores (2014) mediram limites de concordância de ±3,1° entre o celular e o escoliômetro físico e de ±4,4° entre dois examinadores diferentes. Percorra a coluna inteira, anote o valor mais alto e procure fazer com que meça sempre a mesma pessoa, com a mesma técnica.

Devo medir a parte de cima ou a parte de baixo das costas?

As duas. Percorra a coluna inteira com a pessoa inclinada para a frente e anote o ATR mais alto que encontrar. A rotação pode aparecer na região torácica (a parte de cima) ou na lombar (a parte de baixo).

E se a leitura subir de uma medição para a outra?

O que importa não é uma leitura mais alta isolada, e sim um aumento que se mantém quando você repete a medição do mesmo jeito em outro dia. Medições repetidas das mesmas costas podem variar vários graus: Navarro e colaboradores (2020, UFRGS) compararam duas formas válidas de medir a mesma rotação do tronco e encontraram um erro quadrático médio de 3°. Um único valor mais alto não é, sozinho, prova de mudança. Se o aumento se confirmar, leve o registro à UBS sem esperar pela verificação seguinte.

Esses limiares servem para adultos?

Os limiares de 5° e 7° vêm da triagem de crianças e adolescentes, e o mesmo vale para a orientação brasileira, escrita para a escoliose idiopática do adolescente. Um adulto pode usar o escoliômetro para triar e para acompanhar a evolução, mas convém conversar sobre a interpretação de um valor concreto com um profissional, porque a coluna adulta muda por outras razões.

Registre cada leitura e acompanhe a tendência

O aplicativo Scoliometer mede o ângulo de rotação do tronco e deixa você anotar cada leitura, para que você acompanhe a tendência em vez de reagir a um número isolado. É um auxílio de triagem, não um dispositivo de diagnóstico.

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Aviso médico: este guia é material educativo geral e de conscientização sobre triagem. Não é aconselhamento médico e não diagnostica escoliose nem qualquer outra condição da coluna. Um escoliômetro — inclusive um escoliômetro no celular — mede o ângulo de rotação do tronco como auxílio de triagem; não é o mesmo que o ângulo de Cobb e não substitui uma radiografia nem a avaliação de um profissional. Os resultados variam de pessoa para pessoa conforme a idade, a maturidade esquelética, o tipo de curva, o biotipo, a técnica de medição e a consistência com que as leituras são feitas. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado sobre a sua coluna ou a do seu filho.



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