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Quais são os valores normais do escoliômetro?

Uma medida do escoliômetro abaixo de é em geral considerada baixa. é o valor que a maioria dos programas de rastreamento usa para encaminhar a um profissional de saúde. São valores de referência de rastreamento — não um diagnóstico, e não uma medida da curvatura da coluna em si.

Revisão médica do Dr. Kevin Lau, D.C. · Atualizado em 24 de julho de 2026

O escoliômetro registra o ângulo de rotação do tronco (ATR): quanto um lado do tronco se eleva em relação ao outro quando a pessoa se inclina para frente. Como ele mede a rotação na superfície das costas, e não a coluna em si, uma medida se entende melhor como um sinal sobre se vale a pena investigar mais — e não como um número que descreve a coluna.

As faixas do escoliômetro em resumo

MedidaInterpretação comumPasso seguinte habitual
0°–4°Baixa; pequenas assimetrias são comuns na população geralManter o acompanhamento de rotina, sobretudo durante o estirão de crescimento
5°–6°Merece atenção; é o ponto habitual para encaminhar crianças com sobrepeso, nas quais as curvaturas são mais difíceis de verRepetir a medida com cuidado; considerar avaliação profissional
7° ou maisO valor de referência mais aceito nos programas de rastreamentoBuscar avaliação profissional
Aumento de 2° ou maisSinal de evolução, independentemente do valor absolutoBuscar avaliação profissional
Importante: estes valores vêm de estudos de rastreamento populacional. Eles existem para decidir quem deve ser examinado, não para dizer a uma pessoa se ela tem ou não escoliose. O escoliômetro não diagnostica escoliose e não substitui uma radiografia nem uma avaliação profissional.

Por que 7° é o ponto habitual de encaminhamento

Um valor de referência é sempre um equilíbrio. Se for baixo demais, muitas crianças saudáveis são enviadas a exames de imagem de que não precisam; se for alto demais, escapam curvaturas que teriam se beneficiado de atenção precoce. A maioria dos programas de rastreamento se firmou em torno de 7° como um ponto praticável, com 5° para crianças com sobrepeso, porque nelas a curvatura se esconde mais facilmente. Programas e clínicos podem adotar pontos de corte um pouco diferentes, e os resultados variam conforme a idade, a maturidade óssea, o tipo de curvatura e a constância da medida.

O rastreamento da escoliose no Brasil

O Brasil não publica um valor de referência nacional. Não existe PCDT da CONITEC para escoliose, nem diretriz da AMB no Projeto Diretrizes, e não encontramos posicionamento da SBOT ou da SBP com ponto de corte em graus. O documento oficial brasileiro que traz números é estadual: a nota técnica do TelessaudeRS-UFRGS para a Secretaria Estadual da Saúde do Rio Grande do Sul, de 16 de abril de 2024, adota «assimetria ≥ 7 graus, em crianças com índice de massa corporal (IMC) no percentil < 85, ou ≥ 5 graus, em crianças com IMC no percentil ≥ 85» — exatamente os valores desta página. Vale atribuir isso ao Rio Grande do Sul, e não ao Brasil.

E vale registrar o outro lado, porque a mesma nota técnica é explícita: «não há evidências para apoiar a implementação de rastreamento da escoliose em crianças e adolescentes, uma vez que a triagem rotineira para escoliose em adolescentes costuma ter um número excessivo de falso-positivos e encaminhamentos desnecessários». Não há contradição com o que esta página diz: um escoliômetro decide quem deve ser examinado, não quem tem escoliose, e mais da metade das crianças sinalizadas por programas de rastreamento não tem curvatura que precise de tratamento. Saber disso antes de medir é o que evita o susto.

O Programa Saúde na Escola não tem componente de coluna: a Portaria Interministerial nº 1.055/2017 lista doze ações, com «identificação de educandos com possíveis sinais de alteração» para saúde auditiva e ocular, e nada para postura. Sobre frequência, não existe cifra oficial — apenas estudos locais, e as faixas são bem diferentes entre si: em Goiânia, 418 escolares de 10 a 14 anos rastreados com teste de Adams e confirmação radiográfica resultaram em 4,3 % (Acta Ortop Bras, 2013); em municípios do interior de São Paulo, 2.562 adolescentes rastreados produziram 37 casos com ângulo de Cobb ≥ 10°, com regra de encaminhamento de ATR ≥ 7° (Penha et al., 2017); e a nota técnica gaúcha cita 1,4 % em 1.340 estudantes em 2010. Cite a faixa com o tamanho da amostra, nunca um número único.

Um dado brasileiro ajuda a explicar por que a detecção costuma atrasar: em 126 professores de escolas municipais entrevistados, 84,9 % não conheciam o teste de Adams e 31 % não sabiam o que é escoliose (Acta Ortop Bras, 2023). Alguns lugares agem por conta própria — Goiás tem lei estadual de política e conscientização e Volta Redonda (RJ) mantém o «Projeto Coluna Reta», com mais de 12 mil crianças rastreadas pelo SUS desde 2021 — mas essas são exceções locais. Na prática, quem nota primeiro costuma ser um pai, um professor ou o pediatra.

O que uma medida não diz

  • Não é o ângulo de Cobb. O ângulo de Cobb é medido em uma radiografia e é a medida diagnóstica. ATR e ângulo de Cobb se relacionam, mas não são intercambiáveis — veja o que o escoliômetro mede.
  • Não dá um grau de gravidade. Uma medida de 9° não é «escoliose moderada»; é um motivo para ser examinado.
  • Não descarta escoliose. Uma medida baixa junto com assimetria visível, dor nas costas ou histórico familiar merece avaliação profissional de todo modo.
  • Por si só, não diz nada sobre risco de progressão. A idade, a maturidade óssea e a fase de crescimento pesam mais que qualquer número isolado.

A evolução importa mais que o número

Uma medida é um retrato. Uma série feita do mesmo jeito, pela mesma pessoa, em intervalos constantes, é muito mais informativa. Um ATR que sobe de forma consistente ao longo de alguns meses é significativo mesmo que cada medida isolada ainda pareça modesta — e uma medida que dispara uma vez e depois volta ao patamar anterior reflete mais provavelmente a técnica que uma mudança real. É por isso que valem os poucos segundos a mais para anotar a data, a região medida e quem mediu. Para a técnica, veja como usar o escoliômetro.

Medidas em crianças e em adultos

Em crianças e adolescentes a questão é a progressão durante o crescimento, então as medidas se repetem com mais frequência — a cada duas a quatro semanas durante o estirão — e uma tendência de alta é tratada logo. Em adultos o crescimento ósseo já terminou e as mudanças tendem a ser mais lentas, movidas por fatores degenerativos e não pelo crescimento; um acompanhamento mensal costuma bastar, com atenção aos sintomas além do número. Nos dois casos, os valores de referência acima são um ponto de partida para a conversa com um profissional, não um substituto dela.

Quando buscar avaliação profissional

Busque avaliação se uma medida atingir o valor de referência, se as medidas estiverem subindo ao longo do tempo, ou se você notar ombros desnivelados, uma escápula mais saliente, a cintura assimétrica ou uma gibosidade visível na inclinação para frente. A evolução e o manejo adequado variam de pessoa para pessoa; uma avaliação profissional é o caminho para estabelecer o que uma medida significa para uma pessoa específica.

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Mais guias: esta página faz parte dos nossos guias de rastreamento da escoliose e do escoliômetro — o que o escoliômetro mede, como fazer uma medida, ATR e ângulo de Cobb, e o teste de Adams.
Revisão médica do Dr. Kevin Lau, D.C., M.H.N. — Doctor of Chiropractic e fundador da ScolioLife, com mais de 25 anos dedicados ao rastreamento e ao manejo não cirúrgico da escoliose, e desenvolvedor do aplicativo Scoliometer. Sobre o desenvolvedor →

Perguntas frequentes

Quais são os valores normais do escoliômetro?
Abaixo de 5° a medida é em geral considerada baixa. Pequenas assimetrias de tronco são comuns: não é preciso chegar a 0° para que as costas sejam consideradas sem alterações relevantes no rastreamento.
Uma medida de 5 graus é um problema?
Não por si só. É um motivo para repetir a medida com cuidado e considerar avaliação profissional — e é o ponto habitual de encaminhamento para crianças com sobrepeso. A nota técnica do serviço estadual de saúde do Rio Grande do Sul, de 2024, adota exatamente esse critério: 5° ou mais quando o IMC está no percentil 85 ou acima.
O que significa uma medida de 7 graus?
Cerca de 7° é o valor que a maioria dos programas de rastreamento usa para encaminhar a avaliação profissional. Indica que vale a pena investigar mais, não que haja escoliose.
Uma medida do escoliômetro equivale ao ângulo de Cobb?
Não. O ATR é medido na superfície das costas; o ângulo de Cobb, em uma radiografia. Um ATR mais alto costuma acompanhar uma curvatura maior, mas a relação é aproximada e varia de pessoa para pessoa.
E se a medida subir de uma vez para outra?
Um aumento de 2° ou mais merece avaliação profissional, mesmo que o valor absoluto ainda pareça modesto. Confirme primeiro que a técnica foi idêntica e depois busque ser examinado.

Guias relacionados

Referência: van West HM, Herfkens J, Rutges JPHJ, et al. The smartphone as a tool to screen for scoliosis, applicable by everyone. European Spine Journal 2022;31:990–995. Este trabalho avaliou o rastreamento do ATR por smartphone como método e não avaliou nenhum aplicativo específico.

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