Uma medida do escoliômetro abaixo de 5° é em geral considerada baixa. 7° é o valor que a maioria dos programas de rastreamento usa para encaminhar a um profissional de saúde. São valores de referência de rastreamento — não um diagnóstico, e não uma medida da curvatura da coluna em si.
O escoliômetro registra o ângulo de rotação do tronco (ATR): quanto um lado do tronco se eleva em relação ao outro quando a pessoa se inclina para frente. Como ele mede a rotação na superfície das costas, e não a coluna em si, uma medida se entende melhor como um sinal sobre se vale a pena investigar mais — e não como um número que descreve a coluna.
| Medida | Interpretação comum | Passo seguinte habitual |
|---|---|---|
| 0°–4° | Baixa; pequenas assimetrias são comuns na população geral | Manter o acompanhamento de rotina, sobretudo durante o estirão de crescimento |
| 5°–6° | Merece atenção; é o ponto habitual para encaminhar crianças com sobrepeso, nas quais as curvaturas são mais difíceis de ver | Repetir a medida com cuidado; considerar avaliação profissional |
| 7° ou mais | O valor de referência mais aceito nos programas de rastreamento | Buscar avaliação profissional |
| Aumento de 2° ou mais | Sinal de evolução, independentemente do valor absoluto | Buscar avaliação profissional |
Um valor de referência é sempre um equilíbrio. Se for baixo demais, muitas crianças saudáveis são enviadas a exames de imagem de que não precisam; se for alto demais, escapam curvaturas que teriam se beneficiado de atenção precoce. A maioria dos programas de rastreamento se firmou em torno de 7° como um ponto praticável, com 5° para crianças com sobrepeso, porque nelas a curvatura se esconde mais facilmente. Programas e clínicos podem adotar pontos de corte um pouco diferentes, e os resultados variam conforme a idade, a maturidade óssea, o tipo de curvatura e a constância da medida.
O Brasil não publica um valor de referência nacional. Não existe PCDT da CONITEC para escoliose, nem diretriz da AMB no Projeto Diretrizes, e não encontramos posicionamento da SBOT ou da SBP com ponto de corte em graus. O documento oficial brasileiro que traz números é estadual: a nota técnica do TelessaudeRS-UFRGS para a Secretaria Estadual da Saúde do Rio Grande do Sul, de 16 de abril de 2024, adota «assimetria ≥ 7 graus, em crianças com índice de massa corporal (IMC) no percentil < 85, ou ≥ 5 graus, em crianças com IMC no percentil ≥ 85» — exatamente os valores desta página. Vale atribuir isso ao Rio Grande do Sul, e não ao Brasil.
E vale registrar o outro lado, porque a mesma nota técnica é explícita: «não há evidências para apoiar a implementação de rastreamento da escoliose em crianças e adolescentes, uma vez que a triagem rotineira para escoliose em adolescentes costuma ter um número excessivo de falso-positivos e encaminhamentos desnecessários». Não há contradição com o que esta página diz: um escoliômetro decide quem deve ser examinado, não quem tem escoliose, e mais da metade das crianças sinalizadas por programas de rastreamento não tem curvatura que precise de tratamento. Saber disso antes de medir é o que evita o susto.
O Programa Saúde na Escola não tem componente de coluna: a Portaria Interministerial nº 1.055/2017 lista doze ações, com «identificação de educandos com possíveis sinais de alteração» para saúde auditiva e ocular, e nada para postura. Sobre frequência, não existe cifra oficial — apenas estudos locais, e as faixas são bem diferentes entre si: em Goiânia, 418 escolares de 10 a 14 anos rastreados com teste de Adams e confirmação radiográfica resultaram em 4,3 % (Acta Ortop Bras, 2013); em municípios do interior de São Paulo, 2.562 adolescentes rastreados produziram 37 casos com ângulo de Cobb ≥ 10°, com regra de encaminhamento de ATR ≥ 7° (Penha et al., 2017); e a nota técnica gaúcha cita 1,4 % em 1.340 estudantes em 2010. Cite a faixa com o tamanho da amostra, nunca um número único.
Um dado brasileiro ajuda a explicar por que a detecção costuma atrasar: em 126 professores de escolas municipais entrevistados, 84,9 % não conheciam o teste de Adams e 31 % não sabiam o que é escoliose (Acta Ortop Bras, 2023). Alguns lugares agem por conta própria — Goiás tem lei estadual de política e conscientização e Volta Redonda (RJ) mantém o «Projeto Coluna Reta», com mais de 12 mil crianças rastreadas pelo SUS desde 2021 — mas essas são exceções locais. Na prática, quem nota primeiro costuma ser um pai, um professor ou o pediatra.
Uma medida é um retrato. Uma série feita do mesmo jeito, pela mesma pessoa, em intervalos constantes, é muito mais informativa. Um ATR que sobe de forma consistente ao longo de alguns meses é significativo mesmo que cada medida isolada ainda pareça modesta — e uma medida que dispara uma vez e depois volta ao patamar anterior reflete mais provavelmente a técnica que uma mudança real. É por isso que valem os poucos segundos a mais para anotar a data, a região medida e quem mediu. Para a técnica, veja como usar o escoliômetro.
Em crianças e adolescentes a questão é a progressão durante o crescimento, então as medidas se repetem com mais frequência — a cada duas a quatro semanas durante o estirão — e uma tendência de alta é tratada logo. Em adultos o crescimento ósseo já terminou e as mudanças tendem a ser mais lentas, movidas por fatores degenerativos e não pelo crescimento; um acompanhamento mensal costuma bastar, com atenção aos sintomas além do número. Nos dois casos, os valores de referência acima são um ponto de partida para a conversa com um profissional, não um substituto dela.
Busque avaliação se uma medida atingir o valor de referência, se as medidas estiverem subindo ao longo do tempo, ou se você notar ombros desnivelados, uma escápula mais saliente, a cintura assimétrica ou uma gibosidade visível na inclinação para frente. A evolução e o manejo adequado variam de pessoa para pessoa; uma avaliação profissional é o caminho para estabelecer o que uma medida significa para uma pessoa específica.
Disponível para iPhone e Android.
Referência: van West HM, Herfkens J, Rutges JPHJ, et al. The smartphone as a tool to screen for scoliosis, applicable by everyone. European Spine Journal 2022;31:990–995. Este trabalho avaliou o rastreamento do ATR por smartphone como método e não avaliou nenhum aplicativo específico.